segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Saberão quem foi meu pai, os filhos, dos filhos, das minhas filhas...

Os filhos, dos filhos, das minhas filhas
Saberão quem foi meu pai
Saberão da sua historia,
E até onde essa historia vai!
Uma historia de trabalho,
De coragem e agasalho,
De viver o essencial!
Essa nova geração,
Com certeza, saberão;
O homem que é Lalau.

Ele é um sobrevivente
Da seca que castigou!
Ele viu a fome de perto,
Nos braços do meu avô!
Ele viu a seca tirana,
Nessa vida tão cigana
No sertão de Pataxó,
No sertão de Ipanguaçu;
Viu o sofrimento nu,
Nos braços de minha vô.

Vovó Cândida, viu tudo isso
Com meu pai e Vovô Manoel!
Mais um reca de filhos,
Por cima desse vergel!
Onde ele pode escapar
E ainda sair lá,
Pra um futuro promissor;
E ainda segue outras trilhas,
Os filhos, dos filhos, das minhas filhas
Vão falar sobre o senhor.

Sobre o tataravô,
Que tem sim, sobrevivido! 
E o nome do senhor,
Não passa despercebido!
Fácil de pronunciar,
Aqui, ali, acolá
De um jeito bem natural;
Quem pronuncia, se apega,
E o meu nome, que carrega,
Lalauzinho de Lalau.

Seu Lalau hoje completa
Noventa e seis de idade!
Se banha de lucidez,
Sua maior felicidade!
Ao lado de mãe Toinha
Passou a vida inteirinha,
Sendo exemplo pras famílias,
Um trem, sem sair do trilho;
Me ensinou a ser bom filho,
E hoje eu ensino as minhas filhas.

A prova de tudo isso
É viver a cada mês!
Mesmo com o cabelo branco
Chegou aos noventa e seis!
Com o chapéu na cabeça
Não, que o meu pai não mereça,
Um sombra pra ficar;
Viver bem, ele cobiça!
Seria até injustiça
Não lhe parabenizar.

São 96 anos de idade
De luz e de poesia!
96 anos de historia,
Hoje é seu grande dia! 
Lalau nunca perde a vez,
Viajando com vocês,
Lalau aproveita as milhas;
De perto de mim, não sai,
Saberão quem foi meu pai,
Os filhos, dos filhos, das minhas filhas.

(Lalauzinho de Lalau)

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