Os filhos, dos filhos, das minhas filhas
Saberão quem foi meu pai
Saberão da sua historia,
E até onde essa historia vai!
Uma historia de trabalho,
De coragem e agasalho,
De viver o essencial!
Essa nova geração,
Com certeza, saberão;
O homem que é Lalau.
Ele é um sobrevivente
Da seca que castigou!
Ele viu a fome de perto,
Nos braços do meu avô!
Ele viu a seca tirana,
Nessa vida tão cigana
No sertão de Pataxó,
No sertão de Ipanguaçu;
Viu o sofrimento nu,
Nos braços de minha vô.
Vovó Cândida, viu tudo isso
Com meu pai e Vovô Manoel!
Mais um reca de filhos,
Por cima desse vergel!
Onde ele pode escapar
E ainda sair lá,
Pra um futuro promissor;
E ainda segue outras trilhas,
Os filhos, dos filhos, das minhas filhas
Vão falar sobre o senhor.
Sobre o tataravô,
Que tem sim, sobrevivido!
E o nome do senhor,
Não passa despercebido!
Fácil de pronunciar,
Aqui, ali, acolá
De um jeito bem natural;
Quem pronuncia, se apega,
E o meu nome, que carrega,
Lalauzinho de Lalau.
Seu Lalau hoje completa
Noventa e seis de idade!
Se banha de lucidez,
Sua maior felicidade!
Ao lado de mãe Toinha
Passou a vida inteirinha,
Sendo exemplo pras famílias,
Um trem, sem sair do trilho;
Me ensinou a ser bom filho,
E hoje eu ensino as minhas filhas.
A prova de tudo isso
É viver a cada mês!
Mesmo com o cabelo branco
Chegou aos noventa e seis!
Com o chapéu na cabeça
Não, que o meu pai não mereça,
Um sombra pra ficar;
Viver bem, ele cobiça!
Seria até injustiça
Não lhe parabenizar.
São 96 anos de idade
De luz e de poesia!
96 anos de historia,
Hoje é seu grande dia!
Lalau nunca perde a vez,
Viajando com vocês,
Lalau aproveita as milhas;
De perto de mim, não sai,
Saberão quem foi meu pai,
Os filhos, dos filhos, das minhas filhas.
(Lalauzinho de Lalau)
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