terça-feira, 8 de setembro de 2026

Mote: Qualquer dor é comparada a dor da separação...

 

Agora fez poucos minutos,
Que recebi uma ligação!
Era Moésio Marinho 
Que disse assim, amigão!
Faça um verso, pra o meu amigo sofrido;
Eu disse assim, eu duvido, se não é separação.    

Tentei me explicar pra ela,
Mas vi que foi tudo em vão!
Eu fiz tudo o que podia,
Mas foi, mais forte a razão!
Mesmo assim tudo acabou;
E eu sinto o peso da dor
Da dor da separação.

A dor do parto, a dor nos rins!
A dor de uma injeção,
Dor de dente, dor de cólica,
Dessas de rolar no chão!
Do corte, da topada,
Qualquer dor é comparada;
A dor da separação.

(Lalauzinho de Lalau)

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Mote: Cada telha quebrada é a tristeza e a esperança o meu velho cobertor...

 

Tantas noites de chuva e tempestade
Que eu passei numa casa gotejando!
Quando o frio ficava incomodando
Aumentava bem mais minha saudade!
Os trovões, foram a realidade,
Cada raio, aumentava o meu pavor!
Eu tentei me cobrir com tanta dor,
E eu na rede sentindo uma frieza;
Cada telha quebrada é a tristeza
E a esperança o meu velho cobertor.

E a chuva molhando o meu telhado
Procurava uma brecha pra passar!
Cada gota que vinha me molhar
Me trazia um arquivo do passado!
Me mostrava uma alegria, um desagrado
Uma conquista, uma derrota ou um favor,
Uma mágoa, uma raiva ou um rancor;
Mas viver pra mim é uma riqueza!
Cada telha quebrada é a tristeza
E a esperança o meu velho cobertor.

(Lalauzinho de Lalau)

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Era só o que faltava...

 

 



Trabalhar, não receber,
Quando eu ia ela voltava!
A energia tão cara,
O papel vinha e cobrava!
Ta caro o bojão de gás;
Hoje eu não cozinho mais!
Era só o que faltava.

A gasolina acabou
Na hora que eu passeava!
Eu sem um real no bolso,
A família reclamava,
As meninas e a mulher!
O jeito é andar a pé;
Era só o que faltava.

Crise por cima de crise,
A política questionava!
Cada um pune o seu lado,
E o pobre comendo fava;
E hoje nem fava, não tem!
Vamos deixar desdém!
Era só o que faltava.

(Lalauzinho de Lalau

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Essa vida é passageira...

 

A vida tem dessas coisas,
Dor, amor e sofrimento!
Tem dias de tempestade,
Tem dias de livramento!
Tem dias de esperança;
De fartura e de bonança
Pra viver cada momento.

Pois viva, e aproveite a vida,
O resto é tudo besteira!
Faça tudo do seu gosto,
Não se estresse com a poeira!
Porque viemos do pó;
Cante se estiveres só,
Que essa vida é passageira.

(Lalauzinho de Lalau) 

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Saberão quem foi meu pai, os filhos, dos filhos, das minhas filhas...

Os filhos, dos filhos, das minhas filhas
Saberão quem foi meu pai
Saberão da sua historia,
E até onde essa historia vai!
Uma historia de trabalho,
De coragem e agasalho,
De viver o essencial!
Essa nova geração,
Com certeza, saberão;
O homem que é Lalau.

Ele é um sobrevivente
Da seca que castigou!
Ele viu a fome de perto,
Nos braços do meu avô!
Ele viu a seca tirana,
Nessa vida tão cigana
No sertão de Pataxó,
No sertão de Ipanguaçu;
Viu o sofrimento nu,
Nos braços de minha vô.

Vovó Cândida, viu tudo isso
Com meu pai e Vovô Manoel!
Mais um reca de filhos,
Por cima desse vergel!
Onde ele pode escapar
E ainda sair lá,
Pra um futuro promissor;
E ainda segue outras trilhas,
Os filhos, dos filhos, das minhas filhas
Vão falar sobre o senhor.

Sobre o tataravô,
Que tem sim, sobrevivido! 
E o nome do senhor,
Não passa despercebido!
Fácil de pronunciar,
Aqui, ali, acolá
De um jeito bem natural;
Quem pronuncia, se apega,
E o meu nome, que carrega,
Lalauzinho de Lalau.

Seu Lalau hoje completa
Noventa e seis de idade!
Se banha de lucidez,
Sua maior felicidade!
Ao lado de mãe Toinha
Passou a vida inteirinha,
Sendo exemplo pras famílias,
Um trem, sem sair do trilho;
Me ensinou a ser bom filho,
E hoje eu ensino as minhas filhas.

A prova de tudo isso
É viver a cada mês!
Mesmo com o cabelo branco
Chegou aos noventa e seis!
Com o chapéu na cabeça
Não, que o meu pai não mereça,
Um sombra pra ficar;
Viver bem, ele cobiça!
Seria até injustiça
Não lhe parabenizar.

São 96 anos de idade
De luz e de poesia!
96 anos de historia,
Hoje é seu grande dia! 
Lalau nunca perde a vez,
Viajando com vocês,
Lalau aproveita as milhas;
De perto de mim, não sai,
Saberão quem foi meu pai,
Os filhos, dos filhos, das minhas filhas.

(Lalauzinho de Lalau)

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Mote: Quando a tempestade vem, testa quem tá ancorado...

 

Se a nuvem for carregada,
Deixando o mar agitado!
Cada onda gigantesca
Balança pra todo lado!
Vamos ver quem se sai bem?
Quando a tempestade vem,
Testa quem tá ancorado.

Raios, trovões , nuvem escura,
Deriva, sem resultado!
Rota sem rota, correntes,
Treme quem está embarcado!
Terra a vista que não tem;
Quando a tempestade vem,
Testa quem tá ancorado.

(Lalauzinho de Lalau)

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Estou um pouco cansado...

  



Estou um pouco cansado
Das lutas do dia a dia!
Da guerra que mata o homem
Com maldade e tirania!
Do abuso contra a criança;
Da falta de esperança,
E da cara, da hipocrisia!

Estou um pouco cansado
Da fome que é tão cigana!
Cansado da enrolação,
Dos gravatas e dos bacana!
Cansado de tanto artista
Dando uma de racista;
Nas vielas da semana.

Estou um pouco cansado
Do abuso de autoridade!
Cansado de tanto sangue
Pelas ruas da cidade!
Cansado de me cansar,
Cansado até de falar
Da dura realidade.

(Lalauzinho de Lalau)